Aula Espírita

Transes Psíquicos

Data: 2026-07-31

Professor: Zucareli

TRANSES PSÍQUICOS


1. DEFINIÇÃO DE TRANSE

A palavra transe, em geral, é entendida como qualquer alteração no estado de consciência.

É um estado especial, entre a vigília e o sono, que abre as portas do subconsciente.

O estado de transe não significa a supressão da consciência, mas sua interiorização. Mesmo nos estágios mais profundos, a consciência permanece vigilante, como um sistema secundário ainda ativo.


2. GRAUS DO TRANSE

O transe pode ser superficial ou profundo, havendo gradações entre esses dois estados. O transe parcial encontra-se entre esses extremos.

No transe superficial, não há amnésia lacunar. A pessoa recorda-se de tudo e pode, inclusive, pôr em dúvida se realmente permaneceu em transe.

O transe profundo, ou sonambulismo, é caracterizado pela extrema sugestibilidade e pela amnésia lacunar.

No transe profundo, a pessoa fica, em geral, inconsciente. Alguns estudiosos julgam que ela entra em sono magnético ou hipnótico.

Nessas condições, o corpo fluídico exterioriza-se e desprende-se do corpo carnal, deixando a alma mais livre, emancipada.

Não ocorre, porém, a separação absoluta, o que causaria a morte. Um laço invisível continua a prender a alma ao seu corpo.

Semelhante a um fio telefônico, esse laço fluídico permite à alma transmitir suas impressões pelos órgãos do corpo adormecido.

Outros estudiosos entendem que o transe não é um estado de sono, independentemente de ser superficial ou profundo, natural ou sob ação magnética.

No sono, a consciência não está preservada. No transe, entretanto, há preservação da consciência, mesmo quando provocado por hipnose, sobretudo se o hipnotizador ordenar ao hipnotizado que aja como se estivesse acordado.

Estudos eletroencefalográficos mostram diferenças entre a atividade elétrica do cérebro durante o transe e durante o sono, indicando que são fenômenos distintos, apesar de semelhantes.


3. DURAÇÃO DO TRANSE

O transe pode ser fugaz e imperceptível para as pessoas ao redor, como um súbito mergulho no inconsciente.

Também pode ser prolongado, apresentando alterações visíveis do estado psíquico.


4. MECANISMOS DO TRANSE

O mecanismo básico do transe consiste numa onda inibitória que “varre” a superfície cerebral.

O transe pode colocar o indivíduo em contato mais íntimo consigo mesmo e com sua personalidade integral subconsciente.

Em qualquer grau em que se manifeste, há sempre um conteúdo anímico da pessoa em transe.

Isso também ocorre quando o fenômeno é de origem mediúnica. Mesmo quando o médium entra em transe profundo e não se recorda posteriormente do conteúdo da mensagem espírita transmitida, percebe-se que o Espírito comunicante retira dos arquivos mentais do médium elementos necessários para produzir a comunicação.


COMO O ESPÍRITO TEM ACESSO AOS ARQUIVOS DA MEMÓRIA?

Tudo ocorre em nível mental, seja do comunicante, seja do médium.

Apenas hipóteses podem ser lançadas sobre o fenômeno.

Esse acesso que os Espíritos têm ao inconsciente do médium, naturalmente com a permissão deste, é observado nas comunicações mediúnicas em línguas estrangeiras que, muitas vezes, o médium não conhece na atual encarnação.


5. TIPOS DE TRANSE

Os transes podem ser classificados em:

a) transe patológico;

b) transe espontâneo;

c) transe provocado.


TRANSE PATOLÓGICO

O transe patológico é causado por morbidades como delírio febril, traumatismos — particularmente os cranioencefálicos —, estado de coma e período pré-agônico.

São algumas condições que suprimem ou modificam as relações com o mundo exterior e fazem surgir, eventualmente, o transe.

Um caso comum é o dos epilépticos e histéricos. Durante a crise convulsiva e depois dela, a pessoa pode permanecer por longo tempo como que abobada ou desligada, falando coisas sem nexo e sem noção de espaço e tempo.


TRANSE ESPONTÂNEO

Os transes espontâneos ocorrem em pessoas naturalmente predispostas, como médiuns e sonâmbulos.


TRANSE PROVOCADO

As principais formas de transe provocado são:

• hipnótico;

• mediúnico;

• anímico;

• químico.


TRANSE HIPNÓTICO

O transe hipnótico é uma variante do processo do sono. É um sono experimental, provocado, que se aprofunda como no sono normal.

A inibição da atividade cerebral leva a pessoa a dormir.

Podem ser utilizados estímulos luminosos repetidos, que cansam a zona da visão, produzindo inibição do consciente da pessoa que está sendo hipnotizada e levando-a ao transe.

No hipnotismo vígil, o sujeito obedece às sugestões plenamente acordado.

O hipnotizador utiliza a sugestão magnética com auxílio de objetos, como pêndulo, diapasão e focos luminosos, entre outros, introduzindo na subconsciência um sentimento ou impulso que escapa ao crivo racional e se cumpre automaticamente, desde que não entre em conflito com seus princípios morais.

Quando o indivíduo sugestiona a si próprio, chamamos de autossugestão.

Quando outra pessoa lhe sugere algo, chamamos de heterossugestão.


O HIPNOTISMO ATRAVÉS DA HISTÓRIA

O fenômeno hipnótico é conhecido desde a Antiguidade.

No Egito faraônico, os sacerdotes já pesquisavam os fenômenos psíquicos. Havia templos dedicados ao sono, onde eram realizadas experiências hipnológicas.

Os taumaturgos caldeus praticavam o hipnotismo com finalidades terapêuticas.

No século XVI, Paracelso, autor do conceito e da teoria do fluido, já se interessava por experiências magnéticas.

No século XVIII, Frederico Antônio Mesmer mostrou, na prática, o uso do hipnotismo e do magnetismo para curas.


TRANSE MEDIÚNICO

O transe mediúnico, provocado por um Espírito, oferece diferentes gradações conforme o gênero da mediunidade.

Na mediunidade sonambúlica e na materialização, por exemplo, o transe é mais profundo em decorrência da ação espiritual.

Há Espíritos cuja manifestação induz a transes mais profundos ou mais superficiais.


MÉDIUNS ESCREVENTES

Há médiuns escreventes mecânicos, nos quais o médium não tem consciência do que escreve.

Os médiuns escreventes intuitivos têm consciência do que escrevem, embora não exprimam seu próprio pensamento.

O médium semimecânico participa de ambos os gêneros. Sente que uma impulsão é dada à sua mão, independentemente de sua vontade, mas, ao mesmo tempo, tem consciência do que escreve à medida que as palavras se formam.

Assim:

• no médium mecânico, o pensamento vem depois do ato da escrita;

• no médium intuitivo, o pensamento precede a escrita;

• no médium semimecânico, o pensamento acompanha a escrita.


TRANSE ANÍMICO

O transe anímico, ou sonambúlico, é provocado pela própria pessoa ao se desligar parcialmente do corpo físico.

Esse tipo de transe favorece a manifestação dos fenômenos de emancipação da alma, como:

• bicorporeidade;

• dupla vista;

• êxtase;

• catalepsia;

• letargia;

• sonambulismo;

• transfiguração.


TRANSE QUÍMICO

O transe químico é produzido pela ação de substâncias químicas.

Desde a Antiguidade, recorreu-se ao uso de certas drogas em rituais religiosos.

No Brasil, o álcool é usado em alguns cultos africanistas. Os mexicanos utilizavam o cacto mescal.

Há também o transe provocado por narcóticos, psicotrópicos e excitantes, que podem levar a pessoa a estados de transe conforme a dose e o tipo de substância.

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Graus de Transes

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Tipos de Transe

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