Concentrar significa reunir num centro, convergir, tornar mais ativo um ato, reunir forças num ponto determinado, aplicar a atenção em algum assunto, meditar profundamente.
A concentração mediúnica é meio eficaz para abrir as portas ao incessante intercâmbio dos encarnados com desencarnados. Prova a sobrevivência da alma e mostra a validade das aquisições morais intransferíveis.
A concentração é a base das comunicações espíritas. Deve ser um estado habitual da mente em Cristo e não uma situação passageira junto ao Cristo.
Quando a concentração é deficiente, não há boa produção mediúnica, até mesmo não ocorrer manifestações de Espíritos.
Muitos estudiosos do Espiritismo se preocupam com o problema da concentração nos trabalhos de natureza espiritual.
Boa concentração exige vida reta.
2. MECANISMOS DA CONCENTRAÇÃO MEDIÚNICA
Como qualquer atividade, concentração se desenvolve pelo exercício.
O médium principiante deve ter paciência e perseverar até conseguir praticá-la adequadamente.
Para isso deve aprender a usar duas ferramentas importantes: o pensamento e a vontade.
2.1 O PENSAMENTO
Pensamento é força criativa, a exteriorizar-se, da criatura que o gera, através de ondas sutis, em circuitos de ação e reação, sendo tão mensurável como o fotônio.
A mente humana é um espelho de luz, emitindo raios e assimilando-os.
É energia coagulante de nossas aspirações e desejos, atributo do Espírito. É um processo mental, criado ou refletido de outrem.
Abrange o que sentimos e o que compreendemos. Resulta de uma operação mental, seja fruto de um exame, reflexão, meditação ou imaginação.
Quando a pessoa pensa, emite uma espécie de matéria sutil radiante, viva e com grande poder de plasticidade.
O pensamento é matéria mental, compondo o maravilhoso mar de energia sutil em que todos estamos submersos.
O pensamento (fluxo energético do campo espiritual da criatura) é graduado em variadas oscilações:
• Raios super-ultra-curtos, como se exprimem as legiões angélicas (processos ainda inacessíveis à nossa observação);
• Oscilações curtas, médias e longas, onde se exterioriza a mente humana;
• Ondas fragmentárias dos animais, cuja vida psíquica, somente arroja certos pensamentos ou raios descontínuos.
Pelo pensamento nos comunicamos com os Espíritos; eles captam as nossas idéias, nossos desejos e nos respondem.
O intercâmbio mediúnico é fundamentado na afinidade mental.
Divinas mensagens descem do Céu à Terra, mas para isso é imperioso construir canalização adequada; a formação de mensageiros humanos capazes de projetar no mundo as maravilhas do Reino de Cristo.
Para atingir esse aprimoramento é imprescindível que o médium não se detenha no simples intercâmbio.
É indispensável consagrar suas forças às mais altas formas de vida, buscando na educação de si mesmo e no serviço desinteressado em favor do próximo, o material de pavimentação de sua própria senda.
À medida que o ser humano evolui, aprende a controlar suas emissões mentais.
Esse controle é administrado pela vontade.
2.2. A VONTADE
Em todos os domínios do Universo vibra a influência recíproca; o reflexo esboça a emotividade; a emotividade plasma a ideia; esta determina a atitude e esta as palavras que comandam ações.
A vontade é a gerência esclarecida e vigilante, governando todos setores da ação mental.
O cérebro é dínamo que produz energia mental, segundo sua capacidade de reflexão, mas é na vontade o controle que a dirige em certo rumo, criando as causas que comandam os problemas do destino.
Sem ela, o Desejo pode adquirir enganosos e aflitivos séculos de reparação e sofrimento.
A inteligência pode aprisionar-se na criminalidade, a imaginação pode gerar perigosos monstros na sombra, e a Memória, não obstante sua função de registradora, pode cair em deplorável relaxamento.
Só a vontade é suficientemente forte para sustentar a harmonia do Espírito.
Ela não consegue impedir a reflexão mental, quando ocorre a conexão entre os semelhantes, porque a sintonia constitui lei inderrogável.
Mas a vontade pode impor a disciplina sobre os elementos que administra, de modo a mantê-los coesos na corrente do bem.
Numa reunião mediúnica é necessário desenvolver o controle da emissão mental dos participantes, pela disciplina da vontade.
Do contrário, a reunião não funciona como um todo harmônico, onde as pessoas vibram em uníssono em torno de um mesmo propósito.
A concentração mediúnica só é possível quando o médium aprende a controlar suas emanações mentais e administrar suas emoções, a partir do momento que entra em sintonia com entidades espirituais.
Quando ocorre a concentração mediúnica, automaticamente se forma uma corrente mental, entre médium e Espírito comunicante, denominada corrente mediúnica.
É através dela que “ouvimos” os pensamentos dos Espíritos. Por ela que se aproximam e fazem as ligações necessárias para que ocorra o intercâmbio mediúnico.
No homem a corrente mental assume feição mais elevada e complexa.
Ela é impulso necessário à sustentação dos circuitos orgânicos, com base na nutrição e reprodução e também pensamento contínuo, fluxo energético incessante, revestido de poder criador.
Estabelecida a corrente mental, se espraia sobre o cosmo celular onde se manifesta.
A corrente mental vitaliza todos os centros da alma, núcleos endócrinos e pontos de ligação dos plexos da usina física, onde dispõe o Espírito dos recursos para emissão e recepção; exteriorização dos seus pensamentos e assimilação dos pensamentos alheios.
Instalada a corrente mental, é gerado um circuito mediúnico, campo propício à transmissão da mensagem do comunicante.
Neste circuito, o médium registra o pensamento e sentimentos do comunicante, dando-lhe a oportunidade de ser ouvido ou visto pelos encarnados.
O CIRCUITO MEDIÚNICO
O circuito mediúnico é uma extensão do campo magnético onde circula uma corrente mental, sempre que se mantenha a sintonia psíquica entre emissor (Espírito comunicante) e receptor (médium).
O circuito mediúnico expressa uma “vontade-apelo” e uma “vontade-resposta”, pelo comando da entidade comunicante e a concordância do médium.
Fenômeno tanto entre desencarnados como entre encarnados, porque há conjugação nos domínios da inteligência, com associação, assimilação, transformação e transmissão de energia mental.
A Doutrina Espírita esclarece que não basta a ocorrência de reuniões mediúnicas, nem Espíritos que se comuniquem com os encarnados.
É fundamental que os trabalhos mediúnicos sejam pautados em clima de equilíbrio, sobretudo quando o comunicante não revela a harmonia desejada.
A seriedade e a produtividade de uma reunião estão relacionadas com uma série de fatores, que podem ou não favorecer o intercâmbio mediúnico.